Centenário do 1º Vôo na América do Sul – Indicação 9616/2009


Câmara Municipal de Osasco


INDICAÇÃO 9616/2009

Senhor Presidente,

Senhores Vereadores,

Considerando o brilhante artigo publicado pelo grande jornalista osasquense, Sr. Antonio Julio Baltazar na coluna Check-Up no “Jornal Correio Paulista”, edição de 06 de março de 2009;

Considerando que o sonho de voar acompanha a humanidade desde a pré-história;

Considerando que no inicio do século XX, na cidade de Paris, na França, o brasileiro Alberto Santos Dumont possibilitou esse sonho, quando apresentou ao mundo sua “máquina voadora”;

Considerando que o então jovem Dimitri Sensaud de Lavaud, já naturalizado brasileiro, ao ler os jornais, entusiasmou-se tanto com os feitos de Dumont, que decidiu voar também;

Considerando que Dimitri foi um dos grandes gênios do século XX, tendo registrado mais de 1.200 patentes, sendo que algumas delas revolucionaram a produção industrial, sendo conhecido no mundo todo como “inventor brasileiro, nascido na Espanha”;

Considerando que Dimitri, morando em Osasco, aqui planejou e construiu sua “máquina voadora”, realizando o 1º vôo da América do Sul em 07 de janeiro de 1910.

Considerando que quando Osasco conquistou sua autonomia, reconheceu Dimitri, constituindo em seu brasão um par de asas simbolizando o 1º vôo;

Considerando que Dimitri Sensaud de Lavaud passou sua juventude em Osasco e que aqui realizou um dos mais importantes fatos da história de Osasco;

Considerando que este vereador, tendo sido secretário de cultura nos anos 80, já naquela época pensava no planejamento das comemorações do “ANO DO CENTENÁRIO”, deste grande sonho, realizado por Dimitri, inserindo a cidade na história da aviação mundial;

Isto posto, indico a mesa, que nos papéis oficiais da Câmara, durante o ano de 2010, conste um destaque com os dizeres: “ANO DO CENTENÁRIO: 07 de janeiro de 1910 – Primeiro Vôo na América do Sul, realizado por Dimitri Sensaud de Lavoud, em Osasco”.

Sala das Sessões Tiradentes, 15 de dezembro de 2009.

BOGNAR
-vereador-


 

JUSTIFICATIVA

O inventor espanhol, naturalizado brasileiro, Dimitri Sensaud de Lavaud, levou um avião pela primeira vez ao céu sul-americano em 7 de janeiro de 1910. O aniversário de um século desta façanha será tema de homenagens na cidade.

O sonho de voar acompanha a humanidade desde a pré-história com a lenda grega de Ícaro, que queria sair voando de Creta, mas perdeu a vida ao sofrer uma queda em uma de suas tentativas. Tempos depois, no século XV, Leonardo da Vinci deu um grande passo ao desenhar um avião. A história da aviação, no entanto, ganha corpo somente no século XX, trazendo uma grande polêmica: a autoria do primeiro vôo numa máquina mais pesada do que o ar é do brasileiro Alberto Santos Dumont, na França ou dos irmãos americanos Wilbur e Orville Wright, nos Estados Unidos?

Santos Dumont é o vencedor na opinião dos brasileiros e franceses, mas no restante do mundo o título de inventores do avião é dado aos irmãos Wright, que talvez, mais perspicazes que Dumont, patentearam o invento, embora o vôo deles tenha sido realizado em condições anormais, em que o vento rápido favoreceu o vôo e houve, inclusive, o uso de uma catapulta.

Esta discussão não tem maior importância para a cidade de Osasco. Por estas terras o maior herói não é o brasileiro que voou na França, tampouco os irmãos norte-americanos e sim um espanhol nascido em Valladollid, na Espanha, chamado Dimitri Sensaud de Lavaud. Às 5h50 do dia 7 de janeiro de 1910, Dimitri realizava o primeiro vôo na América do Sul em pleno céu osasquense, defronte sua casa que hoje abriga o Museu de Osasco que leva seu nome.

O centenário deste fato que é o mais importante da história de Osasco – na época um bairro da capital – é lembrado por este vereador, que propõe a realização de Sessão Solene na Câmara Municipal, além de outras ações como: selo comemorativo do centenário (Correios); cartão telefônico relacionado ao tema (Telefônica); apresentação da Esquadrilha da Fumaça (FAB); instituição de medalha comemorativa; realização de exposição e outras atividades culturais, além de que, em todos os papéis oficiais da Câmara e Prefeitura, durante o ano de 2010, conste um destaque com os dizeres: “ANO DO CENTENÁRIO: 07 de Janeiro de 1910 – primeiro vôo na América do Sul, realizado por Dimitri Sensaud de Lavoud, em Osasco”, bem como, sugere que a imprensa local, se assim entender, também use o timbre em suas edições.

“Com seu primeiro vôo, Dimitri proporcionou à Osasco vivenciar este grande momento, inserindo a cidade na história da aviação mundial, merecendo portanto, o nosso reconhecimento”, diz Bognar.

Filho do comendador francês Evaristhe Sensaud de Lavaud com a russa Alexandrine Bognoff, Dimitri nasceu em 14 de setembro de 1882. Após viver em vários países da Europa, onde aprendeu a falar russo, inglês, francês, espanhol, grego, italiano e português, Dimitri veio para o Brasil aos 15 anos e estabeleceu-se em Osasco.

Em sociedade com Antônio Agú, fundador de Osasco, seu pai montou uma olaria, que pouco tempo depois se tornou a Companhia Cerâmica de Osasco (HERVY), que produzia tubos de cerâmica. Em 1912, já morando no chalé que hoje abriga o Museu, e pai de três crianças, construiu a primeira máquina para fabricar tubos por centrifugação e, desta vez, patenteou seu invento, nos Estados Unidos e Canadá. Esta descoberta revolucionou a indústria de produção de tubos, proporcionando a produção em larga escala.

Em reconhecimento ao seu papel como inventor e difusor de conhecimento através de suas publicações, Dimitri recebeu em 1925 um renomado prêmio da Academia de Ciências de Paris (Prix Monthion) e foi nomeado Chevaliet Legion d´Honneur. Quatro anos depois causou furor em Paris ao anunciar a invenção de um veículo inteiramente desenhado e fabricado por ele com transmissão automática , permitindo que o volante pudesse mover-se para cima em quatro graduações, voltando para baixo na mesma seqüência.

Já em 1946, inventou a Eletric Drive (embreagem elétrica). No ano seguinte sofreu um segundo infarte e faleceu, terminando uma grande trajetória de vida curtida principalmente no Brasil, país onde se naturalizou aos 21 anos. Em Osasco, seu pioneirismo está representado em duas asas no brasão da cidade e em rua que abriga o “Espaço Cultural Grande Otelo”, além do próprio Museu.

Sala das Sessões Tiradentes. 15 de dezembro de 2009.

BOGNAR
-vereador-


SESSÃO SOLENE  COMEMORA O VÔO HISTÓRICO

DE DIMITRI SENSAUD DE LAVAUD

Data: 13/04/10

Na quinta-feira (08), a Câmara Municipal de Osasco promoveu uma histórica Sessão Solene, de autoria do vereador Sebastião Bognar, onde foi comemorado o centenário do Primeiro Voo da América do Sul, elaborado pelo inventor Dimitri Sensaud de Lavaud.

Mesa dos Trabalhos

Considerado um dos maiores feitos da história da América Latina, o voo de Lavaud aconteceu em território osasquense. Dimitri foi conhecido no mundo como o maior inventor do século 20, fato a ser reconhecido no Brasil e no mundo.

Dimitri também foi inventor de diversos objetos de outras áreas, patenteando cerca de 1200 invenções.

A cerimônia homenageou com uma placa comemorativa (reproduzida abaixo) as importantes personalidades: Martine Roberte Ryser de Souza e Silva (neta de Dimitri – representando a família do inventor), Agnes Agu Cassavia (sobrinha-bisneta de Antônio Agu – fundador da cidade de Osasco e sócio do pai de Dimitri), Laerte Pellegatti (filho de Lourenço Pellegatti – principal colaborador de Dimitri), jornal O Estado de São Paulo (pela cobertura do grande feito – representado pelo jornalista), Pierre A. Camps (construtor da réplica do avião de Dimitri, em exposição no museu da TAM em São Carlos/SP), além de Suzana Alexandria e Salvador Nogueira (autores do livro “1910: O Primeiro Voo do Brasil”).

Vereador Sebastião Bognar

O construtor da réplica do avião de Dimitri, Pierre Camps, exibiu um vídeo com fotografias comentadas por ele mesmo, que mostram desde a cerâmica de Sensaud de Lavaud, instalada em Osasco, passando pelo dia do voo, a construção da réplica do avião de Dimitri, chamado São Paulo, até imagens de veículos construídos por ele.

“Esta é uma noite de gratidão. É hora de Osasco reverenciar aqueles que deram início à cidade, como os emancipadores, com alguns deles aqui presentes, que lutaram pela autonomia da cidade. Mas Osasco inteiro deve ter a gratidão a Dimitri, que colocou o nome de Osasco no cenário internacional. Naquele momento, voava Santos Dumont na França, os irmãos Write nos EUA e o Dimitri no Brasil, em Osasco”, disse o vereador Sebastião Bognar.

O vereador defendeu ainda a construção de um mausoléu a Dimitri em Osasco, com sua família autorizando a trazer seus restos mortais, que estão em Paris.

O presidente da Ordem dos Emancipadores de Osasco, José Geraldo Setter, declarou em seu discurso oficial que lamenta que o Museu de Osasco não comemorou o feito de Dimitri na data exata em que completou-se os 100 anos. “Foi-nos informado que o fato será remorado ao longo do ano e teremos outras oportunidades. Mas passou do tempo, devemos cobrar que hajam realizações. Que o documento que entregamos às autoridades locais [solicitando as comemorações], seja respeitado”, apontou.

“Parabéns ao vereador Bognar pela oportunidade de aqui lembrarmos da genialidade de Dimitri Sensaud de Lavaud, resgatando a história e a tornando um ícone para ser seguido, um farol de conhecimento, tanto quanto foi Antônio Agú, que criou o bairro de Osasco”, disse o vereador André Sacco Jr., que presidiu o evento.

A TV Câmara Osasco e pelo portal da Câmara de Osasco na Internet transmitiram o evento ao vivo.

O Voo

Dimitri momentos antes de decolar

No dia 7 de janeiro de 1910, às 5h50 da manhã, Dimitri dá a partida no motor. O “piloto”, calmo e sorridente, dá sinal para que as pessoas se afastem, deixando o caminho livre para sua passagem. Partindo muito rápido, o avião levanta voo deslizando 70 metros sobre o terreno da rampa, que atualmente dá visão para a Av. João Batista (Centro). Dimitri chega a uma altura de 3 a 4 metros do chão, percorrendo cerca de 105 metros em 6 segundos e 18 décimos.

De repente o motor parou, o que causou uma aterrissagem brusca, danificando as rodas dianteiras. Dimitri, que nada sofreu, sai do avião indignado, mesmo enquanto o público o aclamava. Esperava ter voado por mais tempo. Tentando explicar ao público que pretendia ter voado mais de 10 segundos, acabou falando com ele mesmo já que as pessoas não deram ouvidos. Não era para menos: aquela era a mais nova invenção realizada e que acabara de colocar seu nome na história.

Assim, foi inaugurada a aviação em toda a América do Sul e Dimitri pôde mostrar que sonhos poderiam se transformar em realidade.

 

Homenageados e as placas comemorativas

 


Reprodução de uma das placas comemorativas
oferecidas aos homenageados

 

Fonte da notícia: Departamento de Comunicação Câmara Municipal de Osasco http://www.camaraosasco.sp.gov.br/noticias/2010/0413.htm

Acesse o link e veja o vídeo na íntegra – http://www.ar3g.com/camara/sessoes/2009/08.04.10.solene.html