PATRONOS DA CÂMARA MUNICIPAL – Orlando Calasans e João Macedo de Oliveira.


Câmara Municipal de Osasco


PROJETO DE LEI Nº 71/2008

        “Dispõe sobre a denominação dos prédios da Câmara

    Municipal de Osasco”.

 

- A Câmara Municipal de Osasco, aprova:

Art. 1º.  O prédio onde está localizada a Sede da Câmara Municipal de Osasco, passa a denominar-se “EDIFÍCIO ORLANDO CALASANS”;

Art. 2º .  O prédio onde está localizada a Administração da Câmara Municipal de Osasco, passa a denominar-se “ANEXO JOÃO MACEDO DE OLIVEIRA”;

Art. 3º .  As despesas com a execução da presente lei, correrão por conta de verbas próprias existentes no orçamento vigente;

Art. 4º .  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Sala de Sessões Tiradentes, 19 de junho de 2008.

BOGNAR
-vereador-


JUSTIFICATIVA   01

ORLANDO CALASANS

Orlando Calasans nasceu em 28 de junho de 1928, em Mogi das Cruzes, Estado de São Paulo. Seus pais, Heitor Ibytyruçu Calasans e Maria da Gloria Gequitá Calasans transferiram-se com toda a família para Osasco, em 1929. Fixaram residência na Rua André Rovai, onde permaneceram até 1940. Posteriormente, a família mudou-se para a Rua Padre Damaso.

Orlando foi o oitavo de dezessete filhos, sendo seus irmãos: José, Joaquim, Maria Euvira, Wanda Vera, Fernando, Eloysa, Jeane, Inah Yara, Helena, Leonor, Afrânio, João Vitor, Guiomar Aracê, Maria Augusta, Carlos Catuama, Raul Itaite e Noêmia.

Cursou o primário no Grupo Escolar de Osasco, que na época era a única escola existente na cidade, e hoje, Escola Municipal Marechal Bittencourt.

Em 1941, começou a trabalhar como auxiliar de escritório na fábrica de vagões “SOMA” (Cia. Sorocabana de Materiais Ferroviários), desligando-se em 1949.

Serviu ao Exército Brasileiro, no 2º Regimento Antiaéreo, no Quartel de Quitaúna, nos anos de 1946 e 1947. Deu baixa como 3º sargento.

Mesmo trabalhando, encontrou forças para o estudo. Formou-se Técnico de Administração, pela Escola de Administração de Negócios de São Paulo, no ano de 1948.

Como funcionário da antiga Cobrasma juntou-se a outros funcionários também dedicados às causas sociais, entre eles: Ângela Marta Pereira, Augusto de Paula Pinto, José Gil Rodrigues e fundaram a Sociedade de Auxilio Mútuo dos Funcionários da Cobrasma, que mais tarde transformou-se em Cooperativa.

Desempenhou várias atividades, profissionais: prestou serviços à fábrica “Moinho Santista”, foi gerente da loja Eletroradiobras e, trabalhou na “SPIG”. Após trabalhar durante 46 anos em diversas empresas, aposentou-se em 1989.

Quando jovem, Orlando, frequentava o Clube Floresta, o mais famoso da época, que também era frequentado pelas famílias tradicionais de Osasco.

Era sócio deste clube, e tornou-se Diretor Secretário do “Time Juvenil” de futebol de campo. Posteriormente, assumiu o cargo de Diretor Tesoureiro desta entidade, durante a gestão do presidente Hélio Sanways da Rosa.

Orlando, pessoa querida e sempre muito atuante, registrou presença em vários eventos culturais realizados em Osasco. Destacar-se diversas apresentações teatrais, que contam com a presença de Décio Pignatari, José Francisco Nanias, Nilo Ordália, Luis Antônio de Mello, Rubens Gasparini, Narildo Sousa, Quinto Reis, entre outros.

Além da natural liderança e humildade inerentes à sua personalidade, demonstrava um grande sentimento cívico e patriótico. Tais qualidades o levaram a lutar pelo Movimento da Emancipação de Osasco. Como participante ativo ajudou a reivindicar o plebiscito. Sendo um jovem batalhador, atuou na “ALA JOVEM”, ativamente participando das reuniões da “causa autonomista”.

No primeiro plebiscito, em 13 de dezembro de 1953, em que o NÃO venceu, ele atuou como fiscal de urna.

Em 21 de dezembro de 1958, no segundo plebiscito, agiu da mesma forma, quando finalmente o SIM venceu. Foi difícil a espera de 4 anos para Osasco ser enfim, reconhecida como município.

Durante este tempo de espera (1958 à 1962), Orlando, participou de passeatas, reuniões, visitas à Assembléia Legislativa e ao Palácio do Governo. Frequentou jornais, igrejas, escolas, entidades existentes no Subdistrito de Osasco, em busca de adesão à causa autonomista ajudando a manter desta forma acesa a “chama da autonomia”.

Em 25 de janeiro de 1961, casa-se com Mirian Viviani, na antiga matriz de Santo Antonio, recebendo as bênçãos do inesquecível Pe. Camilo Ferrarini.

Desta união nasceram dois filhos: Álvaro Calasans casado com Solange Gonçalves e Alberto Calasans casado com Vânia Kiriakos.

Devido ao seu espírito de luta, dedicação, civismo e patriotismo, além de todo o trabalho desenvolvido durante a campanha pela criação do Município de Osasco, em 1962, foi convidado para disputar a eleição, como candidato a vereador pelo PTN (Partido Trabalhista Nacional). Foi o vereador mais votado, naquela que era a primeira eleição de Osasco.

Sua trajetória na vida pública, desde a juventude, seu perfil de grande administrador, seu caráter e personalidade íntegros fizeram com que fosse escolhido o primeiro presidente da Câmara Municipal. Seu trabalho nesta Casa foi difícil, mas conseguiu superar as dificuldades e organizar integralmente o recém-criado “Poder Legislativo”. Na Câmara, Calasans, administrou com competência, dedicação e muita seriedade.

Na organização do Poder Legislativo, contou com a preciosa colaboração do Dr. Hélio Djtiar, que o apresentou ao Presidente da Câmara Municipal de São Paulo, e, também do Sr. Hélio Mendonça, que lhe deu assessoria jurídica e financeira, para que ele pudesse tomar ciência dos detalhes do funcionamento de uma câmara municipal.

O Sr. Rafael Luiz Mayr colaborou e assumiu a responsabilidade pela execução dos serviços de preparação de projetos, bem como, pelo treinamento dos primeiros funcionários.

Nesta época não havia verba disponível. Calasans, recorreu então ao Sr. Amador Aguiar, presidente do Bradesco, que lhe forneceu um empréstimo. Além da verba necessária, ele, conseguiu todo o equipamento solicitado para o funcionamento da Câmara, inclusive, mesas, cadeiras e máquinas de escrever.

Os impressos e todo o material de expediente necessários para o funcionamento da Câmara, foram generosamente fornecidos pelo Sr. José Viviani, pai de sua esposa Miriam, proprietário de uma tipografia e papelaria, que ficava na Rua Antonio Agú, e, participante da “causa autonomista”, não exigindo nenhum limite de quantidade ou prazo de pagamento.

Orlando Calasans, homem público, cidadão de comportamento ilibado, sofreu as consequências do regime político vigente. Acusado injustamente, foi preso e torturado. Em 1965, com o término de seu mandato, encerrou definitivamente sua participação na vida pública.

Passou a se dedicar mais à família e ao trabalho, e, desta forma à sociedade, demonstrando um exemplo de dignidade e caráter.

Desenvolveu então outra habilidade, a de marceneiro, recuperando móveis antigos com perfeição e excelência. Não tinha nenhum retorno financeiro, apenas a satisfação pessoal.

Após um longo período de internação no Hospital 9 de julho, afastado da cidade que amava tanto, em 2007, retornou ao criador.

A presença de Orlando Calasans ficará para sempre em nossa memória e em nossos corações.

Mais que uma homenagem, oficializar o prédio da Câmara Municipal com o nome de Orlando Calasans, é uma manifestação de carinho e reconhecimento do Povo de nossa cidade.


JUSTIFICATIVA 02

JOÃO MACEDO DE OLIVEIRA

João Macedo de Oliveira nasceu em 08 de março de 1916, na cidade paulista de Serra Azul, região de Ribeirão Preto. Mudou-se para a cidade de Cajuru, onde iniciou sua educação escolar.

Em 1932, quando se preparava para cursar a Academia de Polícia veio a Revolução Constitucionalista. Este episódio foi chamado pelos paulistas de MMDC para homenagear os quatro estudantes mortos na revolução.

Com apenas 16 anos, jovem, sonhador e com um grande espírito cívico e patriótico, João Macedo de Oliveira segue no posto de 3º sargento, após ter sido submetido a exames no Quartel do 4º BC, na época sediado na rua Padre Bento, no Cambuci.

Entretanto, cessado o “Movimento Constitucionalista”, todos os membros de Força Pública, com menos de um ano de serviço militar, foram dispensados do serviço ativo da corporação, embora tenham tido participação gloriosa no movimento revolucionário.

Macedo, desejoso de seguir a carreira militar, sublimou a frustração de ter sido dispensado do cargo e, em 1933, incorpora-se novamente a Força Militar. Agora não mais como oficial, mas apenas soldado raso, como alguém que tinha que conhecer novamente todas as regras impostas pela vida militar.

Persistindo no sonho de ser um grande militar, em 1937, terminou o curso na antiga Escola Vera Cruz, onde foi aprovado nos exames para o quadro de “Sargento Escrevente”.

Em 1940, com muito esforço, dedicação e uma ardente paixão pela vida militar, foi aprovado nos exames vestibulares para a Academia de Polícia Militar.

Permaneceu até 1941, voltando para a tropa da Força Pública, onde foi novamente reintegrado no quadro de sargento.

Sua trajetória militar não parou por aí. Sonhou mais alto. Obteve uma bolsa de estudo concedida pela Universidade de São Paulo, para frequentar o curso de Aviação, patrocinado pelo Ministério da Aeronáutica.

O Departamento de Aviação Civil do Ministério da Aeronáutica em 1943, concedeu a Macedo o tão almejado diploma de instrutor. De posse do título, começou sua atuação dentro da aviação. Foi instrutor do Aeroclube de São Paulo e também de Londrina. Nesta última cidade, em 1946, preparou uma turma de 43 novos pilotos.

Apesar de exercer a função de instrutor no Aeroclube de Londrina, não deixou de lado os estudos relativos a sua profissão. Depois de participar de um rigoroso e seletivo curso, em 1947, conseguiu o posto de comandante em um memorável exame de rotas e vôo noturno, na cidade do Rio de Janeiro.

Em 1955, Macedo, comandou a REAL TRANSPORTES AÉREOS, incorporada mais tarde pela VARIG, até mudar-se para Osasco.

João Macedo, homem sonhador, idealista, visionário, talvez por sua capacidade profissional de “viver nos ares”, vistou Osasco como uma grande cidade, mas que seria necessário conquistar a autonomia criar, fundar e implantar novos órgãos que dessem a essa sonhada cidade um perfil progressista.

Em 1955, deixou a aviação. Começou a trabalhar intensamente para o desenvolvimento do então Subdistrito de Osasco. Seu primeiro passo foi a implantação da MACEDO IMÓVEIS E ADMINISTRAÇÃO LTDA. Com isso, buscou novas atividades, novos amigos, em sua nova terra. Sua nova rota, agora em Osasco.

Participou da implantação do ROTARY CLUB DE OSASCO, em 1959, nomeado secretário do primeiro conselho diretor, sendo este clube de cunho internacional e sediado em cidade desenvolvidas, sua implantação foi de muita importância para Osasco. Posteriormente foi eleito presidente do clube.

Sendo um homem resoluto, sempre disposto a criar novos espaços, implantou em 1961 a ASSOCIAÇÃO CRISTÃ DE MOÇOS (ACM), sendo eleito como primeiro presidente.

Empreendedor nato, voltado aos ideais da cultura e informação, fundou em 1965 o jornal A REGIÃO, sendo na época, o veículo de comunicação mais lido e respeitado pela sua integridade e credibilidade. Nele se estampava a vida social, cultural, política e esportiva da cidade. João Macedo dirigiu o jornal por 21 anos.

Graças a cultura adquirida durante todos esses anos, Macedo colocou em prática tudo o que aprendeu fundando o INSTITUTO HISTÓRICO GEOGRÁFICO DE OSASCO e também a ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE OSASCO, a qual presidiu no ano de 1986.

João Macedo de Oliveira era casado com a Sr.ª Yone Macedo de Oliveira. Tiveram três filhos: Vera Lúcia Macedo de Oliveira, Beth Macedo Couto, casada com Aristídes Couto Filho e Alfredo Macedo de Oliveira, casado com Guacira Macedo de Oliveira. Seus filhos lhe deram dez netos e quatro bisnetos.

Depois de uma vida repleta de sonhos, trabalho e realizações, Macedo nos deixou em 30 de julho de 1999.

E, é com grande gratidão que queremos inserir no capítulo de sua história esta homenagem, que é a denominação do Anexo desta Casa Leis.

Sala das Sessões Tiradentes, 19 de junho de 2008.

 BOGNAR
-vereador-


Orlando Calasans e João Macedo de Oliveira
são declarados patronos da Câmara de Osasco

Por Maurício Viel
Data 10/06/09

O primeiro presidente da Câmara, Orlando Calasans, e o jornalista João Macedo de Oliveira foram declarados patronos da Câmara Municipal de Osasco. Com o plenário lotado de vereadores, ex-vereadores, familiares dos homenageados e público simpatizante, a Câmara promoveu Sessão Solene na noite da última terça-feira (09) para entronização dos patronos e descerramento de placas com a denominação dos prédios do Legislativo. Por meio de projeto de autoria do vereador Sebastião Bognar, o edifício-sede, localizado na Av. dos Autonomistas, 2607, passa a se chamar Edifício Orlando Calasans. Já o prédio anexo, ao lado da sede, onde está instalada a administração da Casa e alguns gabinetes,  recebeu o nome de Anexo João Macedo de Oliveira.

Sebastião Bognar mostra foto
histórica da Câmara durante discurso

Orlando Calasans foi o primeiro presidente da Câmara de Osasco. Ocupou o cargo entre 1962 e 1963, ficando incumbido de organizar o recém criado Poder Legislativo da cidade. Faleceu em 2007 (veja biografia abaixo).

João Macedo de Oliveira, falecido em 1999, foi jornalista e fundador do jornal A Região, do Instituto Histórico e Geográfico de Osasco e da Academia de Letras e Artes de Osasco (veja biografia abaixo).

No início da sessão, foi feito um minuto de silêncio em homenagem póstuma aos emancipadores, vereadores e funcionários que passaram pelo Poder Legislativo de Osasco.

O vereador Bognar declarou estar emocionado em poder reunir tantos vereadores e ex-vereadores de Osasco e agradeceu ao presidente da Câmara, Osvaldo Vergínio, pela oportunidade. “Osvaldo não mediu esforços para realizar esta sessão, além de ter reformado totalmente os prédios da Câmara. Não poderíamos escolher outro nome para coroar esse trabalho se não o de Orlando Calasans e João Macedo, por tudo o que eles representam na história de Osasco”.

De acordo com Bognar, a homenagem ao jornalista João Macedo estende-se a toda imprensa da região, que sempre esteve presente no desdobramento da história da cidade. O vereador declarou também que “os dois homenageados acreditaram na emancipação e por esta luta são merecedores desta homenagem”.

O ex-vereador Antonio Carlos Tonca Falseti (presidente da Câmara entre 1985 e 1987), foi à tribuna para representar os ex-vereadores da Casa e avaliou que o Brasil vive atualmente uma profunda crise de cidadania e de valores. “Não adianta prédio se não tiver conteúdo e é isso que estamos trazendo hoje com estes dois homenageados. Precisávamos resgatar o conteúdo da nossa história e hoje é a noite deste resgate”, declarou Tonca.

Álvaro Calasans, filho do primeiro presidente da Casa, lembrou que, quando criança, andava com seu pai pela cidade e ele sempre dizia: “Nossa, como cresceu este lugar… Aqui era uma porteira, hoje é um prédio”. “Os olhos de meu pai brilhavam e tenho orgulho de ser filho de um homem que, ao lado de outros, fizeram a história de Osasco”, disse.

Um dos netos de João Macedo, Ari Marcelo, destacou que seu avô também é um dos homens que ajudaram a criar a cidade de Osasco. “Sem pessoas como ele, a cidade seria apenas mais um bairro populoso de São Paulo. Por isso, me sinto honrado de ver a grandeza de nossa cidade”.

A mesa-diretora da sessão, presidida pelo vereador Osvaldo Vergínio, foi secretariada pelo vereador Toniolo e contou ainda com a presença das senhoras Yone Macedo de Oliveira e Miriam Viviani Calasans, esposas dos homenageados.

O evento contou com as presenças dos vereadores Josias Nascimento, Cláudio da Locadora, Eduardão, Valmir Prascidelli, Ana Paula Rossi, João Góis, Aluísio Pinheiro, Mário Guide, Rogério Lins, Rubens Bastos e Jair Assaf. Também prestigiaram a solenidade o prefeito da cidade de Itu (Herculano Castilho), os ex-vereadores Eurípedes Brandão, Délbio Teruel, Jair Sanches, Maria Coluna, Edair Borborema (Cobra), Cláudio Piteri, José Antônio de Lima, Jesus Rodrigues Domingues, Samuel Sanches, Arthur Gastão Castelani, Gilberto Camargo, Gilberto Port, Enilson Lopes, José David Binsztajn, Giro Inoguti, Carlos Clemente, João de Deus, João Costa Filho, José Antônio Faria, Rosa Martins, José Carlos Próspero, Luiz Carlos Camaroto, Catarino de Lima Barros, Antônio Morais Filho e Vrejhi Sanazar.

A Ordem dos Emancipadores de Osasco esteve representada pelo seu atual presidente, José Geraldo Setter, e pelo ex-presidente e emancipador Aristides Collino Jr.

 

Sebastião Bognar e mesa-diretora ao fundo

 

Orlando Calasans

Calasans nasceu em Mogi das Cruzes, no ano de 1928. Seus pais, Heitor e Maria da Glória, transferiram-se com toda a família para Osasco em 1929. Fixaram residência na Rua André Rovai, onde permaneceram até 1940. Posteriormente, a família mudou-se para a Rua Padre Damaso.

Calasans foi o oitavo de 17 filhos. Cursou o primário no Grupo Escolar de Osasco, que na época era a única escola existente na cidade. Hoje, é conhecida por Escola Municipal Marechal Bittencourt.

Em 1941, Calasans passou a trabalhar como auxiliar de escritório na fábrica de vagões “SOMA” (Cia. Sorocabana de Materiais Ferroviários). Serviu ao Exército Brasileiro no 2° Regimento Anti-Aéreo do Quartel de Quitaúna, nos anos de 1946 e 1947. Deu baixa como 3° Sargento.

Mesmo trabalhando bastante, Calasans procurou estudar. Formou-se Técnico de Administração, pela Escola de Administração de Negócios de São Paulo, no ano de 1948.

Como funcionário da antiga Cobrasma, juntou-se a outros funcionários também dedicados às causas sociais e fundou a Sociedade de Auxílio Mútuo dos Funcionários da Cobrasma, que mais tarde transformou-se em cooperativa.

Desempenhou ainda atividades profissionais em várias empresas instaladas na cidade, como Moinho Santista e Eletroradiobrás. Aposentou-se em 1989, após 46 anos de trabalho.

Quando jovem, Calasans freqüentava a Associação Atlética Floresta, o mais famoso clube da época, onde tornou-se diretor-secretário do time juvenil de futebol de campo e diretor-tesoureiro do clube.

Além da natural liderança e humildade inerentes à personalidade de Calasans, ele demonstrava um grande sentimento cívico e patriótico. Tais qualidades o levaram a lutar pelo Movimento da Emancipação de Osasco. Como participante ativo, ajudou a reivindicar um plebiscito, atuando na “Ala Jovem” e participando das reuniões da “causa autonomista”.

Calasans atuou como fiscal de urna nos dois plebiscitos realizados em Osasco. No primeiro, em 13 de dezembro de 1953, o “Não” venceu, mas, em 21 de dezembro de 1958, finalmente a autonomia é conquistada. Porém, os favoráveis pela emancipação teriam ainda que brigar por mais quatro anos, a fim de que Osasco pudesse ser reconhecida como município, em 19 de fevereiro de 1962.

Durante este tempo de espera, Calasans participou de passeatas, reuniões, visitas à Assembléia Legislativa e ao Palácio do Governo. Freqüentou jornais, igrejas, escolas e entidades existentes no Subdistrito de Osasco, na busca por adesão à causa autonomista e ajudando a manter acesa a “chama da autonomia”.

Em 1961, Calasans casou-se com Mirian Viviani na antiga matriz de Santo Antônio e desta união nasceram os filhos Álvaro e Alberto.

Devido ao seu espírito de luta, dedicação, civismo e patriotismo, além de todo o trabalho desenvolvido durante a campanha pela criação do Município de Osasco, foi convidado em 1962 para disputar a eleição de vereador pelo PTN (Partido Trabalhista Nacional). Foi o mais votado, naquela que era a primeira eleição de Osasco.

Sua trajetória na vida pública, desde a juventude, seu perfil de grande administrador, seu caráter e personalidade íntegros fizeram com que Calasans fosse escolhido o primeiro presidente da Câmara Municipal. Seu trabalho nesta Casa foi difícil, mas conseguiu superar as dificuldades iniciais e organizar integralmente o recém criado “Poder Legislativo”. 

Edifício Orlando Calasans

Calasans administrou com competência, dedicação e muita seriedade. Ainda na organização do Poder Legislativo, contou com a preciosa colaboração do Dr. Hélio Djtiar, que o apresentou ao presidente da Câmara Municipal de São Paulo, e, também do Sr. Hélio Mendonça, que deu assessoria jurídica e financeira para que Calasans pudesse tomar ciência dos detalhes do funcionamento de uma câmara municipal.

Há de se destacar também a colaboração do Sr. Rafael Luiz Mayr, que assumiu a responsabilidade pela execução dos serviços de preparação de projetos desta Casa Legislativa e pelo treinamento dos primeiros funcionários.

Nesta época não havia verba disponível e Calasans recorreu ao Sr. Amador Aguiar, presidente do banco Bradesco, que forneceu um empréstimo. Aguiar, inclusive, cedeu todo o equipamento necessário para o funcionamento da Câmara, como mesas, cadeiras e máquinas de escrever.

Vale ressaltar também que os impressos e todo o material de expediente necessário para o funcionamento da Câmara foram generosamente fornecidos pelo Sr. José Viviani, sogro de Orlando Calasans e proprietário de uma tipografia e papelaria. Viviani também era participante da “causa autonomista” e não impôs limites para o presidente.

Orlando Calasans, homem público, cidadão de comportamento ilibado, sofreu as conseqüências do regime político vigente. Acusado injustamente, foi preso e torturado. Em 1966, com o término de seu mandato, encerrou definitivamente a participação na vida pública e passou a se dedicar mais à família e ao trabalho. Desenvolveu a habilidade de marcenaria, recuperando móveis antigos com perfeição e excelência. Não tinha nenhum retorno financeiro, apenas a satisfação pessoal em ajudar ao próximo.

Após um longo período de internação, Orlando Calasans retornou ao Criador no ano de 2007. Mas toda sua bravura, determinação e bondade estarão para sempre na memória e no coração daqueles que o conheceram e, agora, na forma de um dos patronos da Câmara Municipal de Osasco.

João Macedo de Oliveira

O jornalista nasceu em 1916, na cidade paulista de Serra Azul, região de Ribeirão Preto. 

Em 1932, quando se preparava para cursar a Academia de Polícia, eclode a Revolução Constitucionalista. Com apenas 16 anos, jovem, sonhador, com um grande espírito cívico e patriótico, João Macedo de Oliveira segue para o “front”, no posto de 3° Sargento.

Entretanto, cessado o “Movimento Constitucionalista”, todos os membros da Força Pública com menos de um ano de serviço militar foram dispensados da corporação. Macedo, desejoso de seguir a carreira militar, incorporou-se à Força Pública de São Paulo no ano seguinte, como soldado raso. Com o passar dos anos, Macedo foi sendo aprovado nos exames e subindo de posto. Passou por Sargento-Escrevente e, em 1940, com muito esforço e paixão pela vida militar, foi aprovado nos exames vestibulares para a gloriosa Academia de Polícia Militar do Barro Branco, onde ocupou vários cargos de comando.

Sendo um homem resoluto, sempre disposto a criar novos espaços, João Macedo implantou em Osasco, ano de 1961, a Associação Cristã de Moços (ACM), sendo eleito como primeiro presidente, e foi um dos fundadores da JUCO – Juventude Cívica de Osasco.

Empreendedor nato, voltado aos ideais da cultura e informação, fundou em 1965 o jornal A Região, sendo, na época, o veículo de comunicação mais lido e respeitado na cidade, pela sua integridade e credibilidade. Nele se estampava a vida social, cultural, política e esportiva da cidade. João Macedo dirigiu o jornal por 21 anos.

Anexo João M. de Oliveira

Graças à cultura adquirida durante todos esses anos, Macedo colocou em prática tudo o que aprendeu, sendo um dos fundadores do lnstituto Histórico-Geográfico de Osasco e da Academia de Letras e Artes de Osasco, a qual presidiu no ano de 1986.

João Macedo de Oliveira foi casado com a Sra. Yone Macedo de Oliveira. Tiveram três filhos (Vera Lúcia, Beth e Alfredo), dez netos e quatro bisnetos.

Depois de uma vida repleta de sonhos, trabalho e realizações, Macedo faleceu aos 30 de julho de 1999.

Link da notícia – http://www.camaraosasco.sp.gov.br/noticias/2009/0610.htm