Praça Cel. Hélio Barbosa Caldas – Herói Bombeiro – Projeto de Lei 122/2006


Câmara Municipal de Osasco


PROJETO DE LEI Nº 122/2006

       “Dispõe sobre denominação da Praça

Coronel Hélio Barbosa Caldas,

Jardim das Flores.”

- A Câmara Municipal de Osasco, aprova:

Art. 1º.  Passa a denominar-se Praça Coronel Hélio Barbosa Caldas, a área formada na confluência da Rua Sociedade Sport Clube Corinthians Paulista e Rua Vitória Régia, ladeada ainda pela área onde está localizado o edifício da FAC-FITO e também no outro extremo, pelo Quartel do Corpo de Bombeiros.

Art. 2º .  As despesas decorrentes com a execução desta Lei correrão por conta de verbas orçamentárias próprias.

Art. 3º .  Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Sala de Sessões Tiradentes, 05 de dezembro de 2006.

BOGNAR
-vereador-


HISTÓRICO DA CARREIRA DO CORONEL HÉLIO BARBOSA CALDAS

Nascimento: 20 de dezembro de 1934.

Naturalidade: Pirajuí – SP

Filiação: Eloy Ferras Caldas; e Leonor Barbosa Caldas

Ingresso na Corporação: 10 de fevereiro de 1955 (Centro de Formação e Aperfeiçoamento da Força Pública do Estado de São Paulo)

Promoções:

Aspirante a Oficial:  15 Dez 1959 (Conclusão de Curso);

2º Tenente PM:  24 Maio 1961 (Merecimento);

1º Tenente PM:  24 Maio 1965 (Merecimento);

Capitão PM:  15 Dez 1969 (Merecimento);

Major PM:  24 Fev 1972 (Bravura);

Tenente Coronel PM:  01 Fev 1974 (Bravura);

Coronel PM:  22 Set 1990.

Cursos:

Curso Preparatório de Formação de Oficiais – CPFO (1955/1956)

Curso de Formação de Oficiais – CFO (1957 a 1959)

Curso de Formação de Bombeiros para Oficiais – CFO/Of B (1962)

Curso de Instrutor de Educação Física – CIEF (1962)

Curso de Mergulho – 1964

Curso de Aperfeiçoamento Técnico Pedagógico da Secretaria de Estado dos Negócios do Governo – Depto de Educação Física e Esportes – 1965

Curso Técnico Pedagógico – Instituto de Educação Física em Montevideo – Uruguai – 1966

Curso Internacional de Educação Física – 1967

Curso de Guerra na Selva – Centro de Instrução de Guerra na Selva do Exército Brasileiro

Curso Técnico Pedagógico de Educação Física – DEFE – 1968

Curso de Orientação Pedagógica – DEFE – 1971

Curso de Emergência em Medicina Submarina – Fundação de estudo do Mar/ RJ – 1971

Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais – CAO – 1975

Curso Superior de Polícia – CSP – 1980

CONDECORAÇÕES E PRÊMIOS:

“Carta de Prata” – 3º colocado no Curso de Guerra na Selva – 1967

“Medalha Valor Militar em Bronze” – 1969

“Piloto do Ano” – Associação de Helicópteros da América (Federal Aviation Administration) Las Vegas – EUA, pelo seu desempenho no incêndio do Edifício Andraus – 1973 “Láurea do Mérito Pessoal de 5º Grau” – 1978

FUNÇÕES:

Instrutor – Curso de Formação de Soldados da 4ª Cia de Bombeiros – 1963

Instrutor – Profº de Educação Física da Cia Escola – 1964

Instrutor – Escola de Cabos da Cia Escola – 1964

Instrutor – Educação Física no Curso de Bombeiros para Oficiais – 1966

Instrutor – Curso de Mergulho para Oficiais e Praças do 1º Grupamento de Bombeiros na Cidade de Santos – 1968

Comandante – 4ª Cia de Bombeiros – 1970

Instrutor – Curso de Contra Guerrilha Rural e Urbana para sargentos – 1971; Curso de Contra Guerrilha para Sargentos – 1971; Curso de Contra Guerrilha para Oficiais – 1971; Curso de Contra Guerrilha para Oficiais Superiores – 1971

Instrutor – Explosivos e Destruições – 1974

Comandante – 6º Grupamento de Incêndio (6º GI) – 1979

Comandante – 10º Batalhão Policial Militar do Interior (10º BPM/I) – 1980; Comando de Policiamento de Área do Interior – 2 (CPA/I-2) – 1980

Comandante – 7º Grupamento de Incêndio – (7º GI) – 1981

Comandante – 20º Batalhão Policial Militar do Interior (20º BPM/I) – 1984

Comandante – 14º Batalhão Policial Militar do Interior (14º BPM/I) – 1984

Comandante – 33º Batalhão Policial Militar do Interior (33º BPM/I) – 1986; Comando de Policiamento de Área do Interior – 8 (CPAI/8) – 1986

Comandante – Comando de Policiamento Florestal e de Mananciais (CPFM) – 1988

Faleceu em 20 de junho de 1999 no Hospital Cruz Azul, na cidade de São Paulo.


JUSTIFICATIVA

Hélio Barbosa Caldas, nasceu em Pirajuí no Estado de São Paulo, em 20 de dezembro de 1934, ingressando na Força Pública do Estado de São Paulo em 10 de fevereiro de 1955, sendo declarado Aspirante a Oficial em 15 de dezembro de 1959.

Caldas era conhecido carinhosamente entre seus amigos de caserna no antigo Centro de Formação e Aperfeiçoamento – CFA da Força Pública, atual de Polícia Militar do Barro Branco como “CABELEIRA”, apelido que perdurou até hoje.

Sempre destemido com excelente vigor físico, frequentou a Escola de Educação Física em 1962.

Não contente naquelas atividades, naquele mesmo ano, veio para o Corpo de Bombeiros onde participou de diversos cursos, de bombeiros, de mergulho, de administração, dentre outros, mas sempre preocupado em salvar vidas.

Entusiasta e sempre arrojado, o Brasil era pequeno para ele. Esteve participando de  Curso de Educação Física em Montevideo, no Uruguai. O condicionamento físico e o preparo para todas as atividades o fez frequentar o curso de guerra na selva patrocinado pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva do Exército Brasileiro, onde mesmo ferido a uma queda de uma grande árvore, mesmo já internado em um Hospital em Manaus, usou de vários artifícios para retornar a base de exercícios, apresentando-se ao Comandante da Unidade, concluindo de forma excepcional aquelas atividades aquáticas, sendo convidado em razão do feito, para ser instrutor de atividades aquáticas daquele curso.

Caldas foi além de um profundo conhecedor de todas as atividades do Corpo de Bombeiros, dominava diversos outros assuntos, tais como, controle de explosivos, guerra na selva, atividades subaquáticas, controle de distúrbios civis, devido a isso, foi o primeiro em preparar oficiais e sargentos nas mais arriscadas atividades operacionais da Corporação, como o 1º Curso de Operações Especiais, realizado inicialmente no Sagrado Pátio do Batalhão Tobias de Aguiar.

Na década de 70, promovido ao posto de Capitão, assume a 4ª Companhia, hoje, 1º Grupamento de Bombeiros, local em que lhe foi prestada a última homenagem , verdadeiro herói do Corpo de Bombeiros. Mas o destino nessa época lhe preparava projetos mais audaciosos. O Corpo de Bombeiros de São Paulo vivia quase exclusivamente das atividades de prevenção de Combate a incêndios. Foi o Cel Caldas que iniciou uma revolução nas atividades de busca e salvamento. Ele estabeleceu um novo Procedimento Operacional, nivelando as guarnições de salvamento para atender toda e qualquer atividade, criando inclusive na administração, o conceito das cores das prontidões, baseada nas cores da Bandeira Nacional (azul, amarela e verde), que perdura até hoje.

Cel Caldas sempre preocupou-se não apenas com as atividades operacionais, principalmente em enaltecer o ser humano que vestia o uniforme, quer seja da Infantaria ou do Corpo de Bombeiros, que no fundo se preparava para salvar vidas.

Na tarde de 24 de fevereiro de 1972, rompe-se umas das maiores tragédias que o Brasil presenciou, o pavoroso incêndio no Edifício Andraus, o primeiro prédio de São Paulo com heliponto. Labaredas eclodiam para todos os lados do fatídico edifício, fatalizando 16 pessoas, e 580 feridos. Apesar da dimensão da catástrofe, Caldas como verdadeiro Comandante, postou-se à frente de seus comandados realizando inúmeros salvamentos com a utilização de técnicas nunca antes vistas ou utilizadas, criadas por ele próprio.

As atitudes o consagram internacionamente com o prêmio “PILOTO DO ANO”, concedido em Las Vegas nos EUA, pela Federal Aviation Admistration.

 Mas, suas qualidades não se limitavam às refinadas técnicas de salvamento em altura, mostrando sempre ser um exímio profissional nas atividades subaquáticas, conceituando técnicas e formatando cursos na área de mergulho, sendo inclusive hoje, essas atividades homologas pela Marinha de Guerra do Brasil.

Sempre foi simples e humilde, mas dedicado ao extremo.

Manhã de fevereiro de 1974, mais uma tragédia em São Paulo, desta vez, o EDFÍCIO JOELMA em chamas, 186 mortos, centenas de feridos. Novamente o Comandante Caldas à frente de sua tropa. Suas ações voltaram a emocionar o País e percorreram o Mundo, se não fosse o arrocho desse verdadeiro ícone do Corpo de Bombeiros o triste saldo seria maior.

Toda a sua tropa, Oficiais e Praças realizaram um movimento para que suas ações meritórias nestas duas tragédias não caíssem no esquecimento, fazendo inclusive que a imprensa se colocasse a favor das promoções por ato de bravura, fazendo-as realizar assim, a Major e a Tenente Coronel.

Não é exagero dizer que Caldas era capaz de desviar uma cachoeira para localizar um corpo. Acredite! Ele fez, dado o tamanho e respeito que tinha pela vida humana. Isso aconteceu na Cidade de Joanópolis em 1977, desviando o leito da “Cachoeira dos Crioulos”, confirmando sua tese, encontrou o corpo, dando alívio aos familiares e ainda retornando o leito ao seu rumo original, respeitando assim a natureza.

Muitas pessoas salvas por Caldas e seus comandados não o esquecem.

É o caso de um cidadão chamado Levi dos Santos, que ainda hoje profundamente agradecido, externou em uma singela carta uma homenagem ao Comandante Caldas, que aqui vale citar um pequeno trecho:

“…a angústia e a incerteza de vida tomava conta de todos nós, quando um anjo sem asas apareceu dizendo que poderíamos subir para o heliponto…esse bombeiro, verdadeiro herói de tantos incêndios, entre lágrimas de espanto narrou-me as cenas dantescas que presenciou com sua longa experiência. Esse anjo era na época o Comandante Hélio Barbosa Caldas, a quem rendo aqui minhas homenagens de todos os meus colegas da Siemens, ausentes com nosso reconhecimento e imorredora gratidão.

Minhas homenagens e agradecimentos junto a um justo elogio também a todos esses valorosos soldados do fogo que não medem esforços para salvar vidas alheias.

Que Deus o proteja, porque nossa vida depende muito dele…” (Levi dos Santos – 05 de maio de 1999).

 A vida de Caldas não termina aqui, suas incontáveis histórias e muitas vidas salvas permitiria publicar um livro que com certeza não faltaria em nenhuma biblioteca de qualquer Corpo de Bombeiros do mundo. Caldas hoje é mais do que um mito, é um personagem vivo de uma brilhante história que será sempre contada a cada jovem bombeiro que vier fazer parte desse nosso Corpo de Bombeiros e da nossa gloriosa Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Parte desta justificativa é de autoria  de autoria do então Ten Valdir Pavão, hoje Capitão do 3º GB em Guarulhos, proferido pelo Coronel Roberto Leme da Silva (in memorian), no dia do sepultamento do Coronel Hélio Barbosa Caldas.

Como Bombeiro, como Comandante, como o grande ícone que se tornou, o Coronel Hélio Barbosa Caldas em seu dia a dia, fez a diferença na vida de inúmeras pessoas, buscando fazer sempre o seu melhor. Devido a sua formação e dedicação, é um exemplo de comprometimento e ação a ser seguido por todos. Pelo mérito e pela brilhante trajetória de vida, merece ser reconhecido e homenageado.

Sala de Sessões Tiradentes, 05 de dezembro de 2006.

BOGNAR
-vereador-